Registrar um projeto não significa que ele já está certificado
O empreendimento foi registrado em um sistema de certificação. A equipe pode dizer que ele já está certificado?
Não. Projeto registrado e projeto certificado representam etapas diferentes. O registro demonstra que o empreendimento iniciou formalmente um processo. A certificação confirma que os requisitos aplicáveis foram avaliados e atendidos.
Confundir essas etapas pode criar expectativas incorretas entre clientes, investidores, ocupantes e parceiros. Além disso, pode comprometer a credibilidade da comunicação ambiental do empreendimento.
O registro representa o início do processo
Em sistemas como o LEED, o registro identifica que o projeto está buscando uma certificação. A partir dessa etapa, a equipe pode organizar os requisitos, desenvolver as estratégias e preparar a documentação para análise.
O registro, por si só, não comprova que os créditos foram atendidos. Também não assegura que o projeto será certificado no futuro.
Outro ponto importante é o nível pretendido. No LEED, um empreendimento não deve ser apresentado como “registrado LEED Gold”, por exemplo. O projeto pode ter o nível Gold como meta, mas esse resultado ainda não foi concedido.
A política de marcas do USGBC orienta que projetos registrados sejam descritos como projetos que buscam a certificação. As marcas de certificação ficam reservadas aos projetos que concluíram o processo e receberam o reconhecimento.
A precertificação é uma etapa intermediária
Alguns sistemas oferecem precertificação. Ela pode ser útil em fases anteriores à conclusão do empreendimento, especialmente para apresentar a estratégia de sustentabilidade a investidores, locatários e outras partes interessadas.
No entanto, precertificação e certificação final não são equivalentes.
A precertificação representa uma avaliação oficial dentro das regras do programa. Ainda assim, ela não comprova que o empreendimento concluído cumpriu todos os requisitos necessários para a certificação definitiva.
No WELL, por exemplo, a precertificação é uma designação intermediária. Ela pode comunicar o avanço do projeto, mas ocorre antes da revisão documental final e da verificação de desempenho.
Portanto, a comunicação deve usar exatamente o status concedido. Se o projeto alcançou uma precertificação, essa é a informação correta. O resultado final não deve ser antecipado.
A certificação exige análise e confirmação
Um projeto se torna certificado depois que o organismo responsável conclui a análise e confirma o atendimento aos critérios do sistema.
Dependendo da certificação, esse processo pode incluir revisão de documentos, evidências de projeto, registros da obra, dados operacionais, testes ou verificações no local.
O nível obtido também pode ser diferente daquele inicialmente pretendido. A equipe pode desenvolver o projeto com uma meta elevada, mas o resultado dependerá das evidências efetivamente aceitas.
Por isso, projeto registrado e projeto certificado não devem aparecer como sinônimos em anúncios, apresentações, relatórios ou materiais comerciais.
A comunicação precisa distinguir três informações
- o objetivo pretendido;
- o status atual do processo;
- o resultado oficialmente concedido.
O escopo certificado também precisa estar claro
Mesmo após a certificação, a comunicação pode gerar confusão quando não explica o que foi avaliado.
A certificação pode abranger o edifício completo, áreas comuns, interiores específicos, uma operação ou somente uma unidade. O nome do empreendimento nem sempre esclarece essa delimitação.
Imagine um edifício com uma área interna certificada. Isso não significa, necessariamente, que todo o ativo recebeu a mesma certificação.
O mesmo cuidado vale para complexos com vários edifícios. A certificação de uma torre não deve ser apresentada como certificação automática de todo o conjunto.
Essa diferença também aparece durante uma due diligence de sustentabilidade. Além da existência do certificado, é necessário verificar sistema, versão, data, área contemplada e exigências de continuidade.
Cada sistema possui regras próprias
LEED, WELL, Fitwel e outros sistemas mantêm diretrizes próprias para o uso de nomes, selos e marcas.
Embora exista uma lógica semelhante entre registro, avaliação e reconhecimento, os termos autorizados podem variar. A equipe não deve presumir que uma regra válida para determinado sistema se aplica automaticamente aos demais.
O International WELL Building Institute mantém diretrizes específicas de uso de marcas. O USGBC também disponibiliza orientações para a divulgação de projetos LEED.
Por isso, a revisão técnica da comunicação precisa considerar o regulamento atual de cada certificação.
A versão utilizada também importa
Informar apenas que o projeto busca o LEED pode ser insuficiente. A versão escolhida interfere nos requisitos, no cronograma e nas estratégias disponíveis.
O mercado está atravessando a transição entre versões anteriores e o LEED v5. Como explicado no conteúdo sobre o novo prazo de transição do LEED v5, a escolha precisa considerar o estágio do projeto, a tipologia e os objetivos do empreendimento.
Portanto, a comunicação não deve tratar todas as versões como equivalentes. O status precisa estar associado ao sistema e à versão efetivamente adotados.
Marketing e equipe técnica precisam trabalhar juntos
Muitas inconsistências surgem porque o andamento da certificação permanece restrito à equipe técnica. Enquanto isso, marketing, vendas ou relacionamento com investidores trabalham com informações antigas.
Uma rotina de atualização pode evitar esse problema. Antes de publicar uma afirmação, a equipe deve confirmar
- qual sistema de certificação está sendo utilizado;
- qual versão se aplica ao projeto;
- se o empreendimento está registrado, precertificado ou certificado;
- qual nível é pretendido e qual foi efetivamente alcançado;
- qual área ou operação faz parte do escopo;
- quais marcas e expressões estão autorizadas;
- se houve alguma alteração recente no processo.
Esse controle deve alcançar materiais digitais, apresentações, relatórios, estandes de venda e placas instaladas no empreendimento.
A precisão fortalece a credibilidade
Comunicar corretamente não diminui o valor do projeto. Pelo contrário, demonstra que a organização conhece o processo e respeita os limites das evidências disponíveis.
Um empreendimento registrado pode divulgar sua intenção de buscar a certificação. Um projeto precertificado pode comunicar esse marco. Um projeto certificado pode apresentar o resultado efetivamente concedido.
O problema surge quando uma etapa futura é divulgada como se já estivesse concluída.
Entender a diferença entre projeto registrado e projeto certificado ajuda a construir uma narrativa mais transparente. Também protege a confiança de quem utiliza essas informações para avaliar um ativo imobiliário.
A StraubJunqueira acompanha processos de certificação e orienta equipes técnicas e de comunicação sobre cada etapa. Converse com a StraubJunqueira antes de divulgar o status do seu empreendimento.