Mercado de prédios sustentáveis cresce no Brasil e consolida certificações como estratégia de valor
Durante muito tempo, a sustentabilidade na construção brasileira foi tratada como um diferencial pontual, algo restrito a projetos emblemáticos ou a empreendimentos que buscavam destaque institucional. Hoje, os números mostram um cenário diferente. A construção sustentável entrou em uma fase de consolidação e passou a ocupar um papel estrutural nas decisões do mercado imobiliário.
Dados recentes confirmam essa mudança. Em 2024, o Brasil registrou um recorde histórico de empreendimentos com certificação sustentável, segundo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil). Ao todo, 280 construções receberam certificações no ano passado. Em comparação, foram 239 em 2023 e 219 em 2022, evidenciando um crescimento contínuo e consistente.
Esse movimento não é apenas estatístico. Ele reflete uma transformação na forma como edifícios são pensados, projetados e operados, algo que, na prática, já vem sendo percebido por quem atua diretamente com estratégia, certificações e desempenho ambiental, como é o caso da StraubJunqueira.
Um mercado que cresce em escala e maturidade
A expansão das certificações acompanha o avanço econômico do setor. De acordo com projeção da empresa de inteligência Markets & Data, o mercado brasileiro de construções sustentáveis deve passar de US$ 34,3 bilhões em 2024 para US$ 67,9 bilhões em 2032, um crescimento estimado de 98%.
Esse dado ajuda a explicar por que a sustentabilidade deixou de ser tratada apenas como atributo ambiental. Hoje, ela dialoga diretamente com gestão de risco, previsibilidade operacional, valor do ativo e alinhamento com critérios ESG, temas que passaram a ocupar o centro das decisões de investidores, incorporadores e usuários finais.
Segundo a GBC Brasil, os empreendimentos sustentáveis certificados em 2025 somam cerca de 3 milhões de metros quadrados. Com isso, o país alcança 2.987 empreendimentos registrados, sendo 1.447 já certificados, totalizando 75 milhões de metros quadrados em aproximadamente 350 municípios.
Na leitura de quem atua diariamente com esses processos, esses números mostram que a sustentabilidade deixou de ser exceção técnica e passou a integrar o funcionamento real das cidades.
Sustentabilidade aplicada onde a cidade acontece
O crescimento das certificações não se limita a um único tipo de edificação. Ele aparece em bairros planejados, escolas, edifícios corporativos, centros logísticos, data centers, hospitais e, cada vez mais, em projetos residenciais, da alta renda à habitação social.
Essa diversidade indica um avanço importante de maturidade do mercado. A sustentabilidade deixa de ser aplicada apenas onde é “mais fácil” ou mais visível e passa a dialogar com diferentes realidades de uso, orçamento e operação.
No desempenho ambiental, os resultados são concretos. De acordo com dados do GBC Brasil, edifícios certificados apresentam, em média, 25% de redução no consumo de energia e 40% de economia de água. No segmento residencial, os números sobem para 31% de economia de energia, 47% de redução no consumo de água e 92% dos resíduos desviados de aterros sanitários.
Para quem trabalha com projetos e operação, esses indicadores deixam claro que sustentabilidade não é discurso: é desempenho mensurável ao longo do tempo.
O papel das certificações na redução de risco e proteção de valor
Certificações como LEED, AQUA-HQE e EDGE se consolidaram no Brasil não apenas como selos, mas como ferramentas técnicas de tomada de decisão. Elas avaliam desde materiais e sistemas até operação, conforto ambiental e impacto ao longo do ciclo de vida do edifício.
Um ponto central para a credibilidade dessas certificações é a verificação independente, que reduz subjetividade e aumenta a confiança do mercado. Como destaca o GBC Brasil, esse processo ajuda a reduzir riscos, aumentar previsibilidade e proteger valor, fatores determinantes para investidores, operadores e ocupantes.
Na prática, é essa lógica que explica por que certificações passaram a ser incorporadas desde as fases iniciais de projeto, e não mais como um complemento no final da obra. É também nesse ponto que a atuação de consultorias especializadas se torna estratégica, traduzindo critérios técnicos em decisões viáveis, coerentes com o uso real do edifício.
Evolução técnica e novas exigências do mercado
As certificações também evoluíram para acompanhar as novas demandas globais. A atualização LEED v5, por exemplo, amplia o foco em redução de carbono, saúde e qualidade de vida e resiliência climática, elevando o nível de responsabilidade técnica exigido dos projetos.
Segundo o próprio GBC Brasil, empreendimentos que integram arquitetura, engenharia e operação desde o início conseguem atingir níveis Ouro e Platina sem acréscimos significativos de custo, o que reforça um ponto essencial: sustentabilidade não é sobre gastar mais, mas sobre decidir melhor.
Essa é uma leitura recorrente na atuação da StraubJunqueira, que acompanha projetos de diferentes escalas e tipologias e observa, na prática, como decisões antecipadas impactam desempenho, operação e valor no longo prazo.
Políticas públicas e o próximo desafio
Apesar do crescimento expressivo, o avanço da construção sustentável ainda enfrenta desafios, especialmente no acesso a financiamento verde para pequenos e médios empreendimentos. Iniciativas como IPTU Verde, Outorga Verde e programas habitacionais com critérios de eficiência apontam caminhos, mas especialistas indicam que os incentivos ainda são fragmentados.
O próximo salto do setor passa por integrar de forma mais consistente regulação, financiamento e capacitação técnica, permitindo que a sustentabilidade avance para além dos grandes empreendimentos e se consolide como padrão.
Um novo patamar para a construção brasileira
Os números não deixam dúvidas: o Brasil entrou em um novo estágio no mercado de construções sustentáveis. O crescimento das certificações, a diversidade de tipologias e os ganhos comprovados de desempenho mostram que a sustentabilidade deixou de ser narrativa e passou a ser infraestrutura de decisão.
Para quem projeta, investe, opera ou ocupa edifícios, entender esse movimento não é apenas acompanhar uma tendência, é compreender as bases do mercado que já está em funcionamento.
Na StraubJunqueira, acompanhamos esse movimento de dentro: traduzindo dados, certificações e exigências técnicas em decisões reais de projeto e operação. Se quiser entender como esses números se aplicam ao seu contexto, a conversa começa antes da obra.